Marcélia de Souza Cartaxo Atriz PARAIBANA, DE Cajazeiras
Nos tempos de adolescência, Marcélia fugia de casa,
na pacata Cajazeiras, para ensaiar às escuras, no quintal de amigos.
Sua trupe era a “Turma do Mickey”, composta por uma dúzia de crianças
que encenavam um repertório dos mais convencionais; Sonhava em montar Chapeuzinho Vermelho e dublar As Frenéticas. Uma vez por ano, a turma ia para João Pessoa, que para a turma era sua Hollywood.
A
mãe de Marcélia foi quem menos gostou da idéia de ver a filha virar
atriz. Para ela, atriz se tornava prostituta e ator era vagabundo. De
nada adiantaram as repreensões da mãe, Marcélia pegava as moedas que os
fiéis depositavam no Santo Antônio de sua cidade e ia correndo para o cinema,
sonhar com Greta Garbo e Marilyn Monroe. Chegou um dia a dizer que o
santo devia ter achado um bom investimento, porque nunca a descobriram.
E pensava: "Um dia lhe pago, meu santo."
No começo da década de 80, o grupo de Marcélia resolveu montar Beiço de estrada,
um texto original de Eliezer Filho, único universitário da equipe.
Viajaram pelo Brasil todo, como parte do “Projeto Mambembão”. Quando a
montagem chegou a São Paulo, Marcélia encontrou a chance de sua vida: da
platéia a cineasta Suzana Amaral observava o jeito tímido e forte
daquela menina, então com 23 anos. A partir daí a toma impulso a
carreira da atriz.
No cinema teve destaque no filme A hora da estrela,
baseado no romance de Clarice Lispector, que lhe rendeu vários prêmios,
inclusive Urso de Prata no Festival de Berlim; e como uma prostituta,
no filme Madame Satã.

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